Os seres humanos precisam entender que todo ato de ensinar é, na verdade, o caminhar de um fundamento que remonta ao tempo da Criação. Não é absurdo acreditar na ideia de um Criador Supremo instruindo uma primeira criatura com regras, conceitos e estratégias.
Nesse prisma, chega-se a uma alta probabilidade de que todas as nossas descobertas sejam a materialização ou a internalização de um conceito já existente. Dir-se-ia, o descortinar-se de um axioma transcendental. Não se pode ter dúvidas de que o aprender pressupõe a existência prévia de um saber externo. E, nesse diapasão, não há como fugir de um efeito dominó para trás, que precisa encontrar sempre um espeque anterior, até parar definitivamente na origem da Criação (verdadeiro ponto de partida... ou de chegada... ou (quem sabe) de um retorno inexorável).
Filiando-se a tal raciocínio, é possível vislumbrar a importância do indivíduo que ensina: um verdadeiro "enviado" a cumprir uma atribuição. Mas não se trata de um sacerdócio! Também não apenas o professor forjado nos moldes humanos detém a prerrogativa. Aprender e ensinar (nessa ordem) são atos naturais e universais. Esse saber (ou conhecimento) é algo que partiu de uma espécie de tronco comum, que se confunde com a origem da vida. Para nossa digressão, justifica o perpetuar e o evoluir das espécies.
O paradidático "Um caminho para a escola" representa o papel da racionalidade nessa transmissão de "saber". Não fosse o nosso lado racional, estaríamos transmitindo o "conhecimento prévio" apenas como o fazem os outros seres vivos, incluindo os vegetais. Com suas estratégias, ações e reações; mas de forma só instintiva.
O caso é que, além do aprender e ensinar naturalmente, nossa inteligência nos permite não apenas disseminar um conceito. Fazemos pré-juízos, alteramos rotas, inventamos métodos, selecionamos conteúdos, seccionamos aprendizes em faixas etárias com base em alguma empiria. A escola institucional entra no processo tanto para conduzir, traduzir e aprimorar aquele saber natural, quanto para conceber "artimanhas didáticas" a fim de que o objetivo seja alcançado. Eis as metodologias. E elas sempre marcaram épocas (v. g. a palmatória, a obrigação de "decorar o ponto" e de memorizar o cálculo).
A ambição do nosso livro é atrair o prazer a quem ensina e a quem aprende. Ora, se aprender e ensinar são atividades que exigem compreensão e esforço mútuo, melhor é que esses atos ancestrais sejam desenvolvidos o mais harmoniosamente possível, atraindo bem-estar e alegria aos dois lados.